
III Simpósio Capixaba de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora debate impactos das mudanças climáticas na saúde rural
Evento reuniu especialistas e autoridades em defesa do trabalho digno e seguro no campo
Encerrando a programação do Abril Verde, o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região sediou, na última quarta-feira de abril, dia 30, o III Simpósio Capixaba de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, com o tema “Mudanças Climáticas e a Saúde dos Trabalhadores Rurais: desafios e perspectivas”. Realizado no auditório do Tribunal, o evento trouxe reflexões relevantes sobre os efeitos das transformações ambientais na saúde de quem vive do trabalho no campo.
O encontro teve como foco sensibilizar a sociedade e os profissionais de saúde sobre os riscos que os trabalhadores estão expostos, sobretudo aqueles que atuam na zona rural, além de promover a discussão de estratégias para prevenir acidentes, agravos e doenças relacionadas ao trabalho. O simpósio também buscou fortalecer a vigilância em saúde do trabalhador e fomentar a articulação entre os diversos setores envolvidos no cuidado à saúde da população trabalhadora.
Mudanças climáticas
Representando o Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) no evento, o procurador do Trabalho, Bruno Gomes Borges da Fonseca, destacou que o tema do simpósio é “essencial nessa quadra histórica”, em que as mudanças climáticas afetam diretamente a saúde dos trabalhadores rurais.
Ele lembrou que a Constituição de 1988 garante a redução dos riscos inerentes ao trabalho como direito fundamental, e reforçou que o exercício da atividade laboral deve preservar a saúde e promover o bem-estar. “O trabalho não pode causar dano à saúde. Ao contrário, deve contribuir para o bem-estar de quem o executa”, disse.
Bruno Borges também chamou atenção para os dados alarmantes de acidentes de trabalho no país e a subnotificação de doenças ocupacionais, reforçando que a saúde no trabalho ainda não é tratada como prioridade por muitas organizações. Para o procurador, “mudar esse cenário exige transformações estruturais no modelo produtivo, algo que ainda não se concretizou.”
Programação e palestras
Durante o evento, foram promovidas mesas-redondas e debates com especialistas, abordando temas como os efeitos das altas temperaturas na saúde dos trabalhadores, exposição a agrotóxicos, agroecologia, exposição solar, atenção à saúde do trabalhador rural, e a importância da notificação de agravos para subsidiar políticas públicas mais eficazes.
O simpósio reuniu especialistas em saúde pública, direito e meio ambiente. Foram debatidos temas como geografia da saúde, prevenção ao câncer de pele, impactos de agrotóxicos, saúde fisiológica de trabalhadores rurais e políticas públicas de vigilância. Participaram como palestrantes:
- Rafael de Castro Catão – Pesquisador da UFES, com foco no impacto das mudanças climáticas na saúde no ES
- Luciana Vieira Paula – Dermatologista do Programa de Assistência Dermatológica e Cirúrgica
- José Geraldo Mill – Docente de Fisiologia da UFES
- Thaís Varanda Dadalto Silva – Técnica do Núcleo de Vigilância em Saúde do Trabalhador (SESA)
- Isabela de Deus Cordeiro – Promotora do Ministério Público Estadual e coordenadora do Fórum de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos
- Flozilida Kunde – Médica com atuação em comunidades rurais no interior do estado
Mesa de abertura
A mesa de abertura contou com a presença do procurador do Trabalho, Bruno Gomes Borges da Fonseca; do juiz auxiliar da Presidência do TRT-17, Fábio Eduardo Bonisson Paixão; do subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Orlei Amaral Cardoso; do chefe do Núcleo Especial de Vigilância em Saúde do Trabalhador, Frederico Felipe Costa Tebas de Freitas; do reitor da Ufes, Eustáquio Vinícius de Castro; e da coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, Maria Rita de Boni.
O evento integra as ações do Abril Verde, campanha nacional de conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. A escolha do mês está relacionada a duas datas importantes: o Dia Mundial da Saúde (7/4) e o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho (28/4).
Apesar dos avanços legais, os números ainda preocupam. Entre 2012 e 2024, foram registrados quase 9 milhões de acidentes de trabalho no Brasil, com mais de 31 mil mortes e 574 milhões de dias de afastamento. Estima-se que os custos aos cofres públicos ultrapassaram R$ 174 bilhões — e os dados reais podem ser ainda mais graves, devido à subnotificação.
Dados regionais
De acordo com dados do Nevisat, o Espírito Santo registrou, em 2024, 11.803 notificações de acidentes de trabalho no sistema e-SUS Vigilância em Saúde (VS), sendo que cerca de 14% (1680) ocorreram entre trabalhadores rurais.
É um grupo que aparece em destaque nas análises da ocorrência de doenças e agravos relacionados ao trabalho, como intoxicações exógenas, acidentes com animais peçonhentos, câncer relacionado ao trabalho e dermatose ocupacionais.
Em 2024, os trabalhadores rurais representaram 63% dos 2.179 acidentes com animais peçonhentos em todo o Estado. Eles representaram 47% das 615 intoxicações exógenas relacionadas ao trabalho e 87% das 926 notificações totais de câncer relacionado ao trabalho. Além disso, dos 547 casos de Dermatoses Ocupacionais, 85% estiveram relacionados aos trabalhadores rurais.
O simpósio integra o calendário de ações do “Abril Verde”, mês dedicado às ações de conscientização e prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, e reforça o compromisso da Secretaria da Saúde (Sesa), com a valorização da vida, o trabalho digno e a promoção de ambientes laborais saudáveis em todo o Espírito Santo.
Crédito:
Com informações das assessorias de comunicação do TRT-17ª Região e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa)
Publicado em 06/05/2025
Publicado em 06/05/2025























































